
Moradores registraram água suja saindo de torneiras em Ponta Grossa
Reprodução/RPC
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) afirma que resolveu o problema que fez a água encanada ter gosto e cheiro ruins em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
O comunicado foi emitido na sexta-feira (6), um dia após moradores registrarem outro problema: água suja, com coloração alaranjada e marrom, saindo das torneiras – o que, segundo a Sanepar, também já foi resolvido.
Enquanto que a primeira situação se estendeu por quase dois meses, a segunda foi temporária, devido ao rompimento de uma rede de água, e segundo relatos de moradores durou dois dias. Relembre mais abaixo.
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O cheiro e gosto ruins na água foram atribuídos a um aumento atípico na quantidade de algas na represa de Alagados, que é responsável por cerca de 30% da captação de água em Ponta Grossa.
Em nota, a Sanepar disse que as otimizações do processo de tratamento realizado na Estação de Tratamento de Água (ETA) da cidade conseguiram eliminar em 100% a presença da substância geosmina, que é proveniente das algas e, segundo a companhia, vinha alterando a percepção de sabor e odor na água distribuída.
“Desde o último domingo (1º), as análises da Companhia vinham indicando a eficácia das medidas adotadas, com significativo aumento na remoção da substância durante o processo de tratamento, que chegou a zero. Desta forma, a Sanepar consolida a normalização das características da água distribuída aos ponta-grossenses. […] A aplicação do carvão ativado nas captações, com adequações no seu ponto de inserção e ajuste rigoroso na dosagem do dióxido de cloro, foram estratégias fundamentais para superar o problema. A empresa também reduziu a adução da captação Alagados, de 28% para 12%, nos momentos mais críticos”.
A Sanepar também destaca que continua atuando para evitar que futuras oscilações climáticas ou biológicas voltem a impactar o sistema. Entre as principais medidas, está a contratação de uma consultoria especializada para aperfeiçoamento dos processos, que já iniciou o trabalho diagnóstico, e a perfuração de seis novos poços, em diferentes regiões de Ponta Grossa, para diversificar as fontes de abastecimento e reduzir a dependência da Represa de Alagados.
“A Companhia também está trabalhando para viabilizar, em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT), uma tecnologia canadense inovadora, que emite ondas eletromagnéticas de baixa potência para a Represa de Alagados. Em paralelo, a Sanepar também vem promovendo uma ação conjunta entre diferentes instituições, como IDR, Simepar, IAT e Adapar, na implementação do Plano de Segurança da Água para a gestão de riscos e conservação da bacia hidrográfica. O trabalho de diagnóstico vem sendo feito há um ano”.
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‘Evento inédito’
A gerente de Avaliação de Conformidades da Sanepar, a bioquímica Cynthia Malaghini, afirma que Ponta Grossa enfrentou uma situação sem precedentes na história do estado.
“Enquanto o volume histórico de cianobactérias em Ponta Grossa costuma variar entre 100 e 150 mil células, este ano os índices saltaram para quase 300 mil. Essa hiperfloração elevou a concentração de geosmina a um patamar excepcional”, destaca.
Cynthia também lembra que o olfato e o paladar humano são extremamente sensíveis à substância geosmina.
“Há pessoas que conseguem sentir o cheiro e o gosto de terra em uma concentração de 1 nanograma por litro. É como se fosse um grão de açúcar em uma piscina olímpica. Por isso, mesmo com a água dentro de todos os parâmetros de potabilidade, alguns consumidores ainda puderam sentir essa alteração, que agora foi totalmente eliminada no processo de tratamento”, explica.
Água suja
Rompimento de tubulação deixa água alaranjada em Ponta Grossa
Após relatos de água encanada vindo com cheiro e gosto ruins em diversas regiões da cidade por dois meses, moradores de Ponta Grossa também passaram a registrar água suja, com coloração alaranjada e marrom, saindo das torneiras.
Vídeos gravados entre quinta (5) e sexta-feira (6) mostram a alteração na cor. Veja acima.
“Eu até me atrasei pra ir trabalhar pela questão do banho. Quando ‘abri’ o chuveiro estava muito feio. Quando eu vim jogar água aqui na frente de casa também me assustei, porque estava com um aspecto bem marrom”, relatou a nutricionista Carla Stoekly.
Em nota, a Sanepar atribuiu o problema a um rompimento de uma rede de água da cidade registrado na quinta (5), devido à erosão e deslocamento do solo, e disse que na sexta (6) a situação já havia sido resolvida.
“O conserto emergencial já foi concluído e foi feito o procedimento padrão de descarga para a limpeza da rede de abastecimento. Os imóveis afetados foram atendidos com higienização das tubulações e caixas-d’água, também procedimento padrão. Os clientes que perceberem coloração na água precisam entrar em contato diretamente com a Sanepar para atendimento personalizado no endereço do imóvel e solicitar limpeza da caixa-d’água sem custo”.
O contato com a Sanepar pode ser feito pelo telefone 0800 200 0115 (ligação gratuita, 24 horas por dia), pelo WhatsApp (41) 99544-0115, pelo site da companhia ou pelo aplicativo Minha Sanepar.
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