Acordo Mercosul-UE vai além de tarifas, diz Tereza Cristina

A senadora Tereza Cristina afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia representa um marco nas negociações comerciais do Brasil, mas destacou que o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de implementação e adaptação interna.

“Não basta celebrar o acordo, é necessário defendê-lo, operacionalizá-lo e extrair dele o máximo”, disse a senadora em evento realizado em São Paulo nesta segunda-feira (23).

Segundo ela, o entendimento firmado entre Mercosul e União Europeia vai além da redução de tarifas, abrangendo áreas como investimentos, serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e regras sanitárias.

Na avaliação da senadora, trata-se de um acordo amplo, que reflete um modelo tradicional de negociações internacionais baseado em longos e estruturados.

A parlamentar observou que esse tipo de acordo pode estar entre os últimos desse formato, diante de mudanças no cenário global. Ela mencionou uma transição para relações comerciais mais fragmentadas, com acordos mais rápidos, menos abrangentes e influenciados por interesses estratégicos. Também citou o enfraquecimento do sistema multilateral e o aumento do uso de medidas unilaterais em áreas regulatórias, ambientais e tecnológicas.

Nesse contexto, Teresa Cristina afirmou que acordos amplos e equilibrados tendem a ganhar relevância, o que, segundo ela, amplia a responsabilidade do Brasil em executar o tratado.
Ela destacou que será necessário coordenar ações entre governo e setor produtivo, adaptar normas, investir em infraestrutura e aumentar a competitividade.

A senadora também apontou que alguns setores podem enfrentar dificuldades iniciais com a abertura comercial, como os de lácteos e vinhos, e que políticas de transição serão necessárias. Além disso, ressaltou a importância de integrar pequenas e médias empresas às novas oportunidades de comércio e investimento.

Entre os possíveis benefícios do acordo, ela mencionou a agregação de valor às exportações, a inserção em cadeias globais mais sofisticadas e a proteção de indicações geográficas.

Também citou a possibilidade de redução de custos para importação de máquinas e bens de capital, o que pode contribuir para a modernização industrial, além da ampliação de fluxos de tecnologia e inovação.

Apesar disso, Tereza Cristina afirmou que esses ganhos não são automáticos e dependem de políticas públicas, coordenação institucional e capacidade de execução. Para ela, o êxito do acordo será medido por resultados concretos, como aumento de investimentos, produtividade e geração de empregos.
Ao abordar a relação entre comércio e sustentabilidade, a senadora defendeu que ganhos de produtividade são essenciais para atender à demanda alimentar global e que isso depende do acesso à inovação e aos mercados.

“Isso não significa rejeitar a agenda ambiental, ao contrário, significa disputá-la com base em evidências, ciência e resultados concretos. Significa afirmar que existem múltiplos caminhos para sustentabilidade e agricultura tropical, intensiva em tecnologia e eficientes no uso de recursos, e é parte indispensável da solução global. E é isso que a Europa teima em não aceitar e não entender”, acrescentou.

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