O Exército israelense emitiu novas ordens de retirada para o sul do Líbano nesta quinta-feira (12), praticamente dobrando a zona que os moradores devem deixar a região de fronteira. A orientação é para que os moradores se desloquem para o norte do país, além do rio Zahrani.
Com a última determinação, as ordens de retiradas já somam 10% do território libanês.
O número de mortos no Líbano desde o início da mais recente escalada de Israel chegou a 687, incluindo 98 crianças, disse o ministro da Informação do Líbano, Paul Morcos, nesta quinta-feira (12).
Entre os mortos estão 15 médicos e socorristas, disse Morcos. Outros 45 ficaram feridos.
O chefe da Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou nesta quinta-feira (12) que está “gravemente alarmado” com relatos de um ataque que atingiu pessoas deslocadas em Beirute, deixando oito mortos e dezenas de feridos.
“Civis e bens civis nunca devem ser alvos deliberados; seus locais de abrigo e infraestrutura relacionada nunca devem ser alvo de hostilidades militares”, disse a OIM em um comunicado, citando Amy Pope.
Acrescentou que mais de 800 mil pessoas foram deslocadas no Líbano após ordens de retirada em larga escala e cerca de 125 mil estão atualmente vivendo em abrigos administrados pelo governo libanês.
Como o Líbano entrou na guerra
O Líbano começou a ser alvo de ataques israelenses depois que o grupo radical Hezbollah, baseado no território libanês e aliado do Irã, lançou projéteis contra Israel em retaliação contra os bombardeios feitos no Irã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter realizado um ataque em conjunto com o Hezbollah contra Israel, atingindo mais de 50 alvos em cinco horas de fogo contínuo na quarta-feira (11).
O ministro da defesa de Israel, Israel Katz, declarou nesta quinta (12) que alertou ao presidente libanês, Josef Aoun, que se seu governo não impedisse o Hezbollah de disparar contra Israel, “tomaria o território e faríamos isso nós mesmos”.
“Prometemos tranquilidade e segurança às comunidades do norte, e é exatamente isso que cumpriremos”, acrescentou Katz.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
Com informações da Reuters e CNN.
Por que é possível classificar conflito no Oriente Médio como guerra?
