A maioria dos iranianos está sem conexão à internet ou acesso a telefone há mais de três dias, após as autoridades decretarem um bloqueio nacional na quinta-feira (8).
Por causa disso, as pessoas no Irã não conseguem se comunicar tão facilmente entre si ou com o mundo exterior, o que significa que é difícil para os jornalistas obterem um retrato preciso do que está acontecendo dentro do país.
A CNN conseguiu contatar algumas pessoas no local quando elas conseguiram sinal de celular. Diversas testemunhas descreveram atos de violência contra os manifestantes, bem como cenas “caóticas” em hospitais.
Mas o apagão impediu que as agências de notícias reportassem grande parte do que está acontecendo no Irã — especialmente em tempo real.
Amir Rashidi, diretor de direitos digitais e segurança do Miaan Group, organização de direitos humanos focada no Irã, disse ontem à CNN que “nunca, jamais tinha visto algo assim”.
“Não se trata mais de um simples desligamento da internet. Trata-se de interromper todos os canais de comunicação — celular, telefone fixo, mensagens de texto”, disse ele.
Embora as autoridades iranianas já tenham imposto bloqueios à internet no passado, o apagão mais recente apresenta algumas diferenças importantes, disse Rashidi.
“2019 foi o pior bloqueio de internet que já vimos… mas a rede local estava funcionando, a rede doméstica estava funcionando”, disse ele. “Em todos os outros bloqueios que fizeram, a rede doméstica estava funcionando, as mensagens de texto estavam funcionando, as chamadas telefônicas estavam funcionando”, acrescentou.
Até mesmo os veículos de comunicação afiliados ao Estado iraniano e ao aparato de segurança parecem ter sido afetados pelo bloqueio, com atualizações significativamente menos frequentes do que o habitual desde o início do apagão, ou mesmo nenhuma atualização.
